É engraçado quando paro para pensar que a pouco mais de dois anos eu não gostava de motos, simplesmente não tinha nenhum interesse nelas. Aos dezoito, juntei trocos da merreca de salário que eu tinha e me dei de presente uma carteira de motorista... de carro, é claro... não pretendia ter moto. Mas não é que o destino pregou uma peça?!
A uns dois anos eu e meu pai começamos a trabalhar com turmas de prepatórios de concursos nos finais de semana, e em alguns momentos precisávamos cada um estar em um "lugar" diferente. Conversa vem, conversa vai, "vamos comprar uma moto" sugeriu meu pai. Ele tinha tido já uma Crypton, uma Biz e novamente uma Crypton, todas para fazer deslocamentos dentro da cidade no melhor estilo "econômico"
Então estávamos conversando sobre qual o modelo comprar, e ele me sugeriu uma Kansas... Lembrei instantaneamente a primeira vez que ouvi falar dela, em uma reportagem no jornal da cidade e fui direto ao Google ver mais fotos... Tinha me encantado pela "motoca", uma 150cc muito diferente das "de mais".
Alguns dias depois a moto já estava na garagem de casa... Isso em abril de 2009. Nessa época era meu pai quem andava com a motoca, inclusive quem retirou ela da concessionária (Felice Motos - Santa Maria) foi ele.
Eu sempre via ele de moto e pensava: "que motinho bacana"... "acho que prefiro a preta... porquê o pai me fez comprar a prata?!"... Uns dois meses depois da compra, os negócios estavam meio parados, eis que meu pai me sugere... "porque tu não tira tua carteira e fica com a moto pra ti?"
Como que eu não tinha pensado nisso? Huahuahuahua... acho que no fundo eu ainda estava me curando do trauma pós primeiro carro (se é que posso chamar o Herbie de primeiro "carro"). Um adendo: o Herbie foi um fusca 1969, vermelho cereja, com os parachoques goleirinha e tudo mais que eu tive... só deu incômodo aquele ordinário... qualquer dia desses escrevo sobre ele.
Voltando, 20 dias depois dessa conversa com meu pai estava com a carteira em mãos... Peguei ela na sexta-feira e no outro final de semana caí na estrada pela primeira vez. Fiz 240km entre ida e volta até a casa da minha mãe, em Caçapava do Sul. É claro que ela pirou o cabeção... Sem experiência alguma eu me larguei pra lá... e voltei com sorriso de orelha a orelha
Essa foi minha primeira viagem... sem fotos, diário de bordo, sem gps, equipamentos de segurança ou reparo de pneu. Uma mochilinha e o "espírito aventureiro"... Mas o vício pegou, e não largou mais.
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